Uma cúpula extraordinária do Grupo do Rio, realizada no início da noite desta terça-feira, na Costa do Sauípe (BA), ratificou a entrada de Cuba na organização. A mensagem de boas-vindas ao país caribenho foi lida pelo presidente do México, Felipe Calderón, que é o atual coordenador do conjunto de países.
"Hoje nos temos um motivo especial para comemorar porque o Grupo do Rio se fortalece com um novo membro, especialmente um da comunidade do Caribe, o Caricom (Mercado Comum e Comunidade do Caribe). É um privilégio dar as boas vindas a Cuba como membro pleno do Grupo do Rio", disse ele.
A entidade foi criada em 18 de dezembro de 1986, no Rio de Janeiro, como um mecanismo permanente de consulta e concertação política da América Latina e no Caribe. A entrada de Cuba no grupo foi definida na 27ª reunião ministerial, realizada em Zacatecas, no México.
A entrada do país caribenho no Grupo do Rio foi descrita pelo presidente cubano, Raul Castro, como uma oportunidade para aumentar a cooperação e a integração com outros países do continente.
"Cuba entra no Grupo do Rio com a propósito de fomentar a cooperação e a solidariedade entre nossas nações. O faz com o desejo de trabalhar a favor da Justiça, da paz, do desenvolvimento e do entendimento entre todos os nossos povos", disse Raul em discurso durante a cúpula extraordinária.
"(O país) participa compartilhando o apelo mútuo ao direito internacional, à carta das Nações Unidas e aos princípios fundamentais que regem o desenvolvimento das relações entre todas as nações, sobretudo a não-ingerência nos assuntos internos dos Estados, a rejeição à agressão, à ameaça, ao uso da força e ao emprego de medidas restritivas unilaterais com fim de impedir a qualquer Estado o exercício do direito de escolher seu próprio sistema político econômico e social", completou ele, se referindo ao bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos à ilha.
Citando a eleição do democrata Barack Obama à Presidência dos EUA, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, encerrou a cerimônia desta terça-feira dizendo estar esperanço que o bloqueio americano possa ter fim. Para ele, a entrada do país caribenho no Grupo do Rio é um "pequeno grande gesto".
"(Quero) trazê-lo primeiro ao Grupo do Rio e depois levá-lo muito mais longe com os latino americanos e caribenhos. Esse é um momento de ouro e eu gostaria que Fidel (Castro) estivesse aí sentado com entre Felipe e Raul. Mas, certamente ele está acompanhando. Felicidades ao povo cubano e boa sorte ao companheiro Raul que ainda vai enfrentar muitas discussões como esta", disse.
Lula brincou ainda dizendo que o presidente cubano ainda terá que escutar muitos discursos longos, como os do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e que Castro poderia ajudar no processo para disciplinar os líderes a falarem no tempo certo durante as cúpulas.
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