O vice-presidente argentino, Julio Cobos, afirmou nesta terça-feira que sua rejeição, em julho, a um esquema tributário que opôs o governo com o campo impediu que o Executivo "precisasse sair" pelo "conflito social" causado pela medida.
Cobos respondeu dessa forma a afirmações feitas na segunda-feira pelo ex-governante Néstor Kirchner (2003-2007), que, em um ato do governante Partido Justicialista (PJ), o qual preside, afirmou que o vice-presidente é "uma máquina de impedir e de pôr obstáculos".
"Impedir o que? Sim, impedi uma explosão social em 17 de julho. A única coisa que impedi foi que talvez o Governo tivesse que sair, que tivéssemos todos que sair", afirmou Cobos em entrevista ao jornal "Río Negro", da província homônima do sul do país.
O vice aconselhou Kirchner a "ouvir mais" as "mensagens de cautela e comedimento" de sua esposa e sucessora na Presidência, Cristina Fernández de Kirchner.
"Não posso olhar somente Kirchner nos olhos, mas também o resto dos argentinos. Eu não mudei, nem decepcionei ou trai ninguém", acrescentou.
A polêmica entre o Governo e Cobos começou quando o vice definiu com seu voto a rejeição parlamentar a um aumento dos impostos às exportações de grãos, conflito que opôs durante quatro meses o Executivo ao setor agropecuário.
O Governo chamou de "traidor" Cobos, que, no ano passado, foi expulso da opositora União Cívica Radical (UCR), após aderir à aliança promovida por Kirchner.
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